Destinos Cruzados- Capitulo 6

Eu não podia dormir. Tinha alguma coisa que me perturbava. Dei mais uma volta na cama. Decidi me levantar e ir até a cozinha pra beber água.

Coloquei o meu chinelo no pé e fui até a cozinha meio sonolenta.  Peguei a jarra de água e coloquei no copo. Bebi um pouco e olhei pela pequena janela que tinha ali. As luzes da cidade iluminavam as ruas. Era lindo.
Deixei o copo na pia , foi quando ouvi o latido do Rocky. Fui até a varanda e vi ele parado, do lado do que era a separação entre eu e a vizinha.
Sophia: Psiu- Ele se virou- Desse jeito você vai acordar a dona Maria. Sai dai menino.
Ele latiu com mais força, e eu me aproximei dele.
Sophia: Que foi hein?- Olhei pra varanda da dona Maria, parece que vi a sombra de uma pessoa.- Não é pra fazer barulho ta?- Falei  para Rocky.-
Sai da varanda e fui até o quarto, me deitei na cama e me cobri com o edredom. Tinha que tentar dormir, pelo menos tentar.
Abri os olhos assustada, tinha acabado de ter um pesadelo. Olhei para Miguel, ele dormia serenamente.  Liguei a luz do abajur e  foi quando eu vi ele. Aquele homem que ia cumprir o que prometeu.  Vi que tinha uma arma na mão e ela estava apontando para Miguel.
Sophia: NÃOO!!!!
Ouvi  o tiro e em segundos, eu já estava encima de Miguel. O sangue estava nos lençóis e agora, no meu pijama. Miguel gritava de dor. Olhei para trás, o homem tinha sumido.
Sophia: Calma meu amor, tudo vai sair bem.- Tentei pegar o telefone encima da mesinha de noite mais Miguel me impediu.-
Miguel: Não precisa - As palavras dele estavam sendo arrastadas, ele estava morrendo e eu não podia fazer nada pra impedir- Promete pra mim que você vai ser feliz- Eu assenti em meio a todas as lágrimas que caíam pelo meu rosto-
Acariciei o rosto de Miguel  que fechou os olhos, dessa vez, para sempre. Me aproximei do ouvido dele.
Sophia: Eu prometo que vou ser feliz, vou ser feliz por você. Te amo.
Sai de encima do corpo de Miguel. Meu pijama estava sujo de sangue. Fui até o closet e coloquei uma sapatilha qualquer. Peguei uma jaqueta e a minha bolsa. Eu estava disposta a ir até a delegacia. Em questão de horas a policia ia estar na minha casa e possivelmente eu ia ser culpada pelo assassinato de Miguel então, decidi ir eu mesma até lá. Sim, eu ia me entregar. Mal sabia eu, que o pesadelo ia começar a partir daquela delegacia.

Abri a porta da delegacia com medo, as minhas mãos tremiam, mas eu devia parecer forte. Devia parecer corajosa, ao menos para fazer o que eu ia fazer agora.
Me aproximei da pequena recepção que tinha ali.
Sophia: Boa noite.
Recepcionista: Boa madrugada quer dizer.- Ela sorriu, mas ao ver a minha cara e a roupa manchada que eu estava vestindo fechou a cara.- Em que posso ajuda-la?
Sophia: Eu vim me entregar.
“ É por você meu amor”
Recepcionista: Se entregar? O que a senhora fez?- Ela parecia assustada, eu não a culpava. Se eu estivesse no lugar dela também ia estar-
“ Eu te amo, e isso me dói aqui dentro”
Sophia: Eu matei o meu marido.- Soltei as palavras junto com várias lágrimas.-
O rosto da moça mudou em segundos, ela estava pálida. Ela me olhou direito, me perguntando com o olhar como eu poderia ter feito tal coisa.

Foi por você meu amor, foi por você que  fiz isso. 

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