Reviravolta - Capitulo 90

- O que aconteceu? - Eu perguntei meio receosa.
- Eu não sei. Ela mudou da água pro vinho. - Ela Falou um pouco triste.
- De repente Paulo pode ter feito alguma coisa com ela. - Ele pensou alto.

- Não acredito que isso tenha acontecido, ele sempre a amou muito. - Ela respondeu e ele percebeu que tinha falado alto.
- Deve ser mesmo. - Disse sem acreditar, depois eu perguntaria a ele. Matheus apareceu e sorriu simpático pra nós.
- Ei, ainda estão ai. - Falou e sentou, logo se servindo. Deu um beijo na testa da mãe antes. - Gostando de conhecer minha coroa? - Ele riu pra ela, tinha a mesma adoração que Micael.
- Parece que a senhora só deu sorte com os filhos homens. - Eu disse e sorri. Matheus me olhou meio sem entender.
- Tá falando da pirracenta da Bruna? Aquela ali tá terrível agora mesmo. - Deu uma garfada no bife. - Mas por que você disse filhos? Só teu eu... - Ele pareceu triste. - Bom, na verdade tinha outro, mas não gostamos muito de falar no assunto. - Realmente pareceu chateado.
- Sou eu. - Micael falou e ele que estava encarando o prato olhou o irmão. - Sou o Micael.
- Ah para de zoeira. Meu pai disse que você estava morto. - Ele agora estava sorrindo, encarou a mãe que assentiu e se levantou pra dar um abraço em Micael.
- Pra infelicidade do seu pai, não morri. - Ele falou frio.
- Ué, por quê? - Voltou a se sentar na cadeira.
- Longa historia, um dia eu conto. - Ele deu de ombros
- Tudo bem. - Mordiscou uma batata. - Mas eu sempre quis te conhecer, e nossa mãe sempre acreditou que você estava vivo. - Ele sorriu de novo.
- A melhor mãe do mundo! - Micael segurou a mão dela por cima da mesa e Matheus segurou a outra.
- A melhor mãe do mundo! - Ele confirmou. eu estava achando aquela cena a mais fofa desde então. Eles pararam um pouco de conversar e continuamos a almoçar. Passamos um dia muito tranquilo. A menina não tinha saído mais e Matheus estava ali conosco.
Umas quatro da tarde, ouvimos a porta da frente fazer barulho e quando se abriu vimos um homem grisalho passar pela porta. Ele não era alto, tinha uma barriga grande e não estava bem arrumado, calça jeans surrada, tênis e uma camiseta. Senti Micael enrijecer ao meu lado e segurei sua mão. O cara entrou com um sorriso no rosto. Parecia ser uma pessoa bacana e não o mostro que Micael diz que era.

- Oi Família. - Ele chegou e deu um selinho na esposa e um abraço no filho. Olhou pra nós esperando que falássemos algo, mas o silencio reinou ali.
- Amor, o Micael voltou. - Falou animada e então a expressão daquele homem se fechou.
- O quê? - Falou ainda sem acreditar e encarou Micael. - Voltou do mundo dos mortos foi.
- Pra sua tristeza eu nunca passei por lá. - Sorriu debochado.
- Nossa Micael, senti uma magoa ai nesse coraçãozinho. - Ele continuou debochando.
- Eu posso saber o que aconteceu entre vocês dois. - A mãe dele se manifestou e ficou olhando pra Micael.
- Eu vou embora. - Micael disse ainda encarando o padastro.
- Não vai filho, esta cedo. - Pareceu triste.
- Eu volto outro dia mãe e trago Alycia. - Ele disse e me olhou, eu assenti.
- Quero saber o que aconteceu entre vocês dois. - Ela falou brava agora. - E quero saber agora, nada de deixar pra depois. - O Paulo ficou encarando Micael, pensando se ele ia ter ou não coragem de falar. Eu também estava apreensiva, nossa visita tão gostosa estava se tornando um desastre.
- Esse homem é um monstro. - Micael disse por fim. O sorriso ironico de Paulo sumira e Antônia estava só observando.
- Como assim, explica Micael. - Falou brava.
- Ele sempre me bateu, dizia coisas horríveis pra mim, me ameaçava... - Ele foi diminuindo o tom de voz.
- Por que você nunca me disse? - Ela se aproximou de Micael e colocou as mão no rosto dele. Eu soltei a mão dele.
- Porque ele sempre me ameaçou, me batia e dizia que se eu contasse ia sumir com você. - Eles tinham lagrimas nos olhos. - Foi por isso que eu fui embora. - Ela se virou espumando de odio para o marido.
- Por que você fazia isso? Eu nunca acreditei que você fosse capaz.
- Ele estava ali pra me lembrar que você tinha sido casada com aquele idiota do pai dele. - Falou com certo tom de nojo.
- Você nunca mais abra a boca pra falar do meu pai. - Micael gritou pra ele. - Um homem digno e direito, nunca fez mal a ninguém, pessoas como ele deveriam viver, não como você. - Matheus puxou a mãe dali do meio.
- Seu pai era um bosta, igual você é e sempre vai ser. Vocês dois fugiam quando aparecia alguma dificuldade.
- Eu nunca fuji de nada. - Ele falou entredentes.
- Nunca? Você sumiu Micaelzinho. - Aquele sorriso voltou.
- Eu tinha seis anos. Seis. Você batia em mim como se eu tivesse vinte. Se eu não tivesse ido embora, talvez hoje não estaria vivo para estarmos discutindo aqui agora.
- Bem provável que não. Por que você voltou? Estávamos muito bem sem você aqui!
- Voltei porque não tenho mais medo de você. Você batia em mim quando tinha uma desvantagem, seria a mesma coisa se eu batesse em você agora. Bater em um velho! - Ele falava cada palavra com ódio, nunca o tinha visto com tanto ódio. Antônia estava chorando e eu segurei o braço de Micael assim que ele deu um passo a frente.
- Vamos embora Micael, Alycia está esperando a gente. Vamos. - Eu falei e ele me ignorou.
- Teve filhote foi? - E foi a minha vez de ver vermelho. Então soltei o braço de Micael e o vi acertar um soco naquele homem.

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