Reviravolta - Capitulo 84

Voltamos a sala e então me despedi de João e do Micael e eles se foram. Subi e tomei meu banho e me preparei para dormir ao lado da minha filhota. Acordamos quase meio dia, na verdade ela acordou primeiro e me acordou em seguida alegando fome.


- Mamãe? - Ela me cutucou até eu abrir os olhos.
- Fala filha. - Abri os olhos devagar
- Quero tomar café. - Ela falou com um biquinho e eu ri. Pisquei meus olhos até me acostumar com a luz do sol que entrava pela janela e então peguei meu celular pra olhar a hora. Já era mais do que onze e meia e eu me sentei na cama.
- Não prefere almoçar? - Perguntei a olhando.
- Não, quero comer bolo. - Ela riu sapeca.
- Só você mesmo hein. - Eu sorri e me levantei indo para o banheiro e ela veio atrás de mim. Fiz as minhas higienes e as dela e coloquei uma bermudinha jeans e uma camiseta nela, assim ela desceu. Eu vesti um vestido soltinho vermelho e passei a escova no meu cabelo, desci logo em seguida.
Encontrei Alycia no colo do meu pai, eles estavam sentados á mesa, minha mãe estava na sala. Alycia já tinha um prato de bolo á sua frente e um copo de café com leite.
- Nossa que rápido vocês heim. - Eu disse me sentando junto com eles.
- Você que demorou lá em cima. - Rolei os olhos e olhei a tela do meu celular, sorri involuntária.
- Ih, mensagem do amor. - Ele debochou e deu de ombros, eu mandei língua pra ela e voltei a sorrir.

"Espero que tenha tido uma ótima noite de sono meu amor. Passando para lhe desejar um ótimo dia, estou indo levar o João de volta ao abrigo, a tardinha passo por ai para lhe dar um beijo e na nossa filha. Te amo amor, fica com Deus."

- Meu papai? - Alycia parou de comer e olhou pra mim eu assenti.
- Ele disse que mais tarde passa aqui pra te ver. - Ela sorriu, a coisa mais linda e fofa.
- Eba! - Disse e voltou a comer seu bolo outra vez.
- Queria essa empolgação pra me ver também... - Meu pai resmungou olhando para mim.
- Você nunca mereceu. - Eu disse fria e dando de ombros, ele franziu a testa e respirou fundo antes de falar.
- Eu sei disso. - Fez um carinho na cabeça da minha menina.
- Então não se faça de coitado. - Ele abaixou a cabeça e fez movimento de negação.
- Não fala assim com o vovô, mamãe. - Alycia olhou pra mim me repreendendo.
- Eu fiz tudo que eu julguei certo. - Ele sussurrou pra mim.
- Eu cansei de lhe dizer que o que você julga certo, não é o mesmo que eu. - Falei sem a minima emoção na voz. - Sabe qual foi seu azar? - Eu falei e ele ficou mudo.
- Não... - Disse após um tempo.
- Foi ter tido uma filha tão cabeça dura quanto você. - Eu me levantei e sai dali. Provavelmente eu e meu pai nunca seremos amigos. Eu respondi a mensagem de Micael e fiquei jogada na cama por um longo tempo, até que a fome realmente apertou e eu tive que descer novamente. Já passava das quatro da tarde e fui a cozinha e fiz um sanduíche de queijo e um pouco de refrigerante. Não estava com vontade de almoçar e nem comer algo do tipo. Peguei meu sanduíche e fui ver onde Alycia estava, a encontrei pulando com meu pai na cama elástica que ainda não tinha sido desmontada. Não apareci, voltei e fui para o meu quarto novamente.

Meses se passaram, minha relação com Micael estava melhor do que nunca, já estávamos para completar seis meses juntos e estava muito feliz. Alycia e ele tinham a melhor relação possível isso também facilitava muito as coisas. Nós tínhamos decidido nos casar, adotar o João e ir morar na casa do Micael mesmo. Meu pai não tinha aceito muito bem essa historia, ele não queria Alycia longe dele, mas não tinha muito o que fazer, então ele aproveitava cada momento que estava em casa pra brincar com a neta.
A empresa de Micael estava indo muito bem, assim foi contratada pela rede de hotéis do meu pai, dessa vez Micael estava terceirizado. Ele tinha dois funcionários e uma secretaria. Eu não gostava daquela mulher, tinha a visto apenas uma vez, mas ela não sabia quem eu era. Ela tinha cara de safada, tinha cara daquele tipo de mulher que quer arrumar um marido rico a qualquer custo. Micael sempre disse que era tudo impressão minha e que ela era uma excelente profissional. Discutimos algumas vezes por isso, mas nada que não tínhamos resolvido.
Nosso casamento seria dentro de um mês, e a maioria dos detalhes estavam resolvido já. Decoração, salão, buffet, convites, DJ, madrinhas, Damas e meu vestido estavam prontos. Na verdade meu vestido não estava pronto ainda, ele estava nos últimos ajustes. Eu estava muito ansiosa.
Naquela noite eu estava na casa de Micael, Alycia tinha ficado com meus pais e nós estávamos deitados na cama.

- Será que vai dar certo? - perguntei insegura.
- O que? - falou confuso.
- Nosso casamento... - Deixei a frase solta no ar.
- Claro que vai, nós nos amamos. - Falou como se fosse obvio.
- As vezes só o amor não é suficiente. - Dei de ombros
- Você está querendo desistir, Sophia? - Senti medo em sua voz.
- Não, só estou com medo, as coisas vão mudar tanto...
- Vão mudar para melhor, vamos ser eu, você e nossa filha. - Ele disse e deu um beijo na minha testa.
- Não vai querer impedir o Diego e a Larissa de vir ver a nossa filha, vai? - Eu perguntei insegura e ele respirou fundo.
- Não... Eu sei que Alycia gosta deles, não faria isso com ela, por mais que eu queira. - Ele sorriu e me deu um beijo...
- Amor... - Eu parei por não saber como continuar aquela frase...
- O que foi? - Me encarou.
- Sua mãe... Não tem vontade de procura-lá?

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