Reviravolta - Capitulo 88

Micael não sabia o que dizer, ele apenas olhava a senhora que não estava entendendo absolutamente nada do que estava acontecendo. Ele não tinha palavras, era muita emoção, então resolvi falar. Me aproximei e estendi a mão para a senhora, que apertou.


- Olá, a senhora é a Dona Antônia? - Eu perguntei e ela se alertou.
- Sim, sou eu. O que aconteceu, quem são vocês? - perguntou ainda alarmada.
- A senhora teve um filho chamado Micael? - Perguntei e vi seus olhos se encherem de lagrimas.
- Sim, ele sumiu tem uns vinte anos, procurei tanto meu menino, até hoje não sei por que ele foi embora. - Ela abaixou a cabeça triste.
- Mãe?! - Eu ouvi ele falar e então sai da frente. Foi um momento emocionante ver eles dois abraçados e chorando, por mais que Micael não acreditasse que sua mãe estava viva, ele a amava. Ver aquele momento foi a muito lindo.
- Micael, por onde você esteve?! O que te ver ir embora meu filho? - Ela perguntou preocupada, alisava Micael pra ver se estava bem, instinto de mãe.
- Isso tudo não importa, mãe. - Ele disse e a abraçou outra vez. - Eu senti tanto a sua falta, em tantos momentos.
- Eu também meu filho, sempre senti sua falta. Não teve um dia sequer que não tenha pensado em você. Vamos entrar, precisamos conversar. - Ela segurou sua mão e o puxou pra dentro. Ele olhou pra mim e eu o segui.

Lá dentro era ainda mais simples do que a fachada. Me enganei, ali tinha sala, cozinha e um quarto. Não apenas dois cômodos. O banheiro eu não estava vendo, deveria ser no comodo de cima, ou separado.

- Quem é essa linda moça meu filho? - Ela disse enquanto fazia um café.
- Minha noiva! Vamos casar no mês que vem. - Ele me deu um selinho e eu sorri envergonhada,
- Ah, perdi tanto tempo, Meu menininho hoje é um homem! - Ela disse chorosa outra vez. - Por que você se foi Micael, eu sofri tanto.
- Eu também mãe, ficar na rua não é fácil. - Ela arregalou os olhos.
- Você saiu de casa pra ficar na rua Micael? - Falou com raiva. - A menina vai pensar que sou péssima mãe, que te tratava mal e que... - Ele a interrompeu.
- Não viaja mãe, Sophia sabe de tudo. - Ele deu de ombros ela suspirou.
- Só eu que não sei. - Pareceu decepcionada.
- Te conto em outra ocasião. - Ele parecia receoso. - Me conte da sua vida.
- Eu dediquei muito tempo procurando você, nunca desisti. Paulo me disse que você podia ter morrido. - Micael rangeu os dentes de ódio. - Então eu diminui minhas buscas na medida que o tempo foi passando. Tive dois filhos. - Ele sorriu dessa vez. - Matheus e Bruna. Matheus tem dezoito anos e Bruna acabou de fazer quinze.
- Eu vi o rapaz lá fora, a menina ainda não vi. - Ele falou. Sua mãe colocou as xícaras na nossa frente e se sentou.
- Ela ainda está na escola. O Matheus está no quarto. - Ela explicou. - E você meu filho, tem alguma novidade boa pra me contar fora o casamento? - Ela olhou pra minha barriga.
- Não, eu não estou gravida. - Me apressei ao dizer e vi sua cara de triste.
- Poxa! Eu amo bebês! - Falou com um sorriso triste. Micael me olhou e eu sorri, assentindo.
- Nós temos uma menina. - Ele falou sorridente e ela nos olhou surpresa.
- Sério? - Arregalou os olhos. - Eu sou Vovó?
- Sim, não é mais um bebê... Mas é nossa filha. - Micael falou e eu o olhei feio.
- Hey, ela é meu bebê! Tem cinco anos, mas é meu bebê!

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