Inevitável - Capitulo 40

- Você tem que perder essa mania de resolver tudo com sexo, sabia? - Ele disse agora que estávamos deitados ainda nus.
- Tenho? - Levantei uma sobrancelha e ele riu.
- Não. - Fez uma pausa. - Eu gosto disso.



Se virou para me beijar e eu correspondi. Eu sinceramente não entendia esse nosso amor, era improvável e ao mesmo tempo inevitável. Teriamos que brigar com muita gente pra sermos aceitos, mas não importava, nada importava desde que estivéssemos juntos. Ele me puxou para seu peito e me apertou um pouco, suspirando.

- Não se afasta de mim de novo. - Suplicou e eu levantei a cabeça para olhar ele.
- Nunca. - Lhe deu um beijo casto e então batidas ecoaram pela porta.
- Sophia? - Nós nos assustamos ao ouvir o som da voz da minha mãe.
- Oi mãe. - Falei sem graça e nós nos levantamos rápido para nos vestir.
- Que demora. Abre a porta, queremos falar com você. - Eu olhei pro Micael e ri.
- Espera lá embaixo que a gente já desce. - Ela não respondeu, eu acredito que apenas saiu dali.
- Acho que perdemos a noção do tempo. - Micael disse rindo.
- Eu também. - Nós nos beijamos e então terminamos.

Descemos as escadas de mãos dadas e então quando meus pais ouviram o barulho, olharam pra gente. O foco foi direto pra nossas mãos e minha mãe suspirou. Micael tentou soltar, mas eu continuei segurando, ele sorriu.

- O que querem? - Falei seca, sabia que ouviria reclamação. Felipe pediu pra descer do colo dela e veio caminhando pra mim. Eu o peguei.
- Renato achou melhor apoiar vocês dois. - Ela fez uma cara de nojo, ou algo parecido.
- Ele acha, pelo visto você não né? - Continuei sendo grossa.
- Não e não vou esconder que desaprovo. - Ela nos encarava, eu me retrai. Nunca fui de brigar com a minha mãe.
- Qual é o problema comigo? - Micael se pronunciou.
- Você era marido da minha outra filha! - Disse com raiva.
- Se trata de algo maior que isso. - Ele a encarava. - Pra conseguir ficar com a Luiza também passei por isso, vocês não me aceitavam.
- Nada disso. - Meu pai tentou falar e ele o interrompeu.
- Tem isso sim, vocês não deixavam ela em paz, ela sempre me contou. - Ele parecia com raiva. - E eu não entendo o motivo. Eu sou jovem, responsavel, sempre estudei, sempre trabalhei. Não é como se eu fosse um vagabundo.
- Micael, calma. - Ele estava ficando nervoso. Então olhou no fundo dos olhos dos meus pais e disse:
- É por que eu sou negro? - Ele não desviava o olhar deles dois, eu estava perplexa.
- Micael você está exagerando, meus pais nunca ligaram pra isso. Se trata da Luiza... - Tentei falar, mas ele me silenciou com um olhar.
- É esse o problema né? - Disse com raiva. - Não suportaram que eu consegui conquistar a filha de vocês, e agora não suportam o fato da Sophia também gostar de mim. E eu aqui pensando que vocês tinham aprendido a gostar de mim também.
- Micael, não é assim que nós pensamos. - Branca começou a falar. - Você está nos julgando mal.
- Ah, Branca. - Passou as mãos no rosto num gesto de indignação. - É isso sim, não precisa mais esconder. Vou embora Sophia.
- Não! - Falei rapido e soou desesperado.
- Enquanto seus pais continuarem assim, acho melhor que a gente continue separado. - Pegou Felipe do meu colo e caminhou pra porta.
- Eu simplesmente não acredito que vocês dois são desse tipo de pessoas. Eu me envergonho de vocês, muito. - Disse e fui correndo pra fora, Micael manobrava o carro e eu entrei na frente.
- Sai dai Sophia. - Ele gritou e buzinou.
- Destrava a porta pra eu entrar. - Gritei de volta e ele negou com a cabeça. - Precisamos conversar.
- Acho que você precisa conversar com seus pais. - Ele deu ré.
- Preciso é de você. - Lagrimas involuntarias começaram a escorrer. - Você me pediu pra não me afastar de você, agora sou eu que estou pedindo. - Ele abaixou a cabela no volante e então depois de longos segundos, destrancou a porta.
- Me desculpa. - Ele disse quando eu entrei.

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