Reviravolta - Capitulo 100

- Não quer? - Estava surpresa. - Quer ter um filho do seu pai?
- Não é filho do meu pai, é meu filho. - Ela colocou a mão na barriga e sorriu.
- Mas Bruna... - Hesitei. - Sabe que seu filho pode vir com alguma deficiência não é?

- Não me importo, vou ama-lo de qualquer jeito. - Ela me olhou séria. - Você tiraria a Alycia?
- Não, nunca! Apesar de todas as complicações que tive, nunca cogitei essa hipótese. - Neguei com a cabeça só de imaginar.
- Complicações? - Franziu a testa. - Que tipo de complicação uma mulher de familia rica tem ao engravidar? - Pareceu não entender e eu ri.
- Acha que a minha vida sempre foi mole? - Ri sarcastica. - Meu pai nunca aceitou o Micael. - Peguei uma de suas mãos e segurei. - Eu tinha 19 anos, me apaixonei por um bandido que tentou me assaltar. - Ri ao me lembrar, Bruna tinha uma expressão de surpresa.
- Micael te deu o golpe da barriga. - Ela riu e eu também.
- Foi tipo isso. - Disse ainda rindo. - Meu pai decidiu me afastar dele,  me mandou para os Estados Unidos, pra fazer minha faculdade.
- Mas e a bebê? - Parou de rir e agora estava horrorizada.
- Eu descobri estar gravida lá. Sabia que se voltasse, meu pai me mandaria tirar a criança. Então escondi minha filha até o ultimo segundo que pude. - Falei me lembrando do dia em que voltei.
- Micael não sabia da filha? - Estava curiosa agora.
- Não, descobriu por acaso, ela estava pra completar cinco anos já. - Sorri. - Mas é muita historia pra um só dia né mocinha, você precisa descansar.
- Não, fica aqui... - Ela pediu quando me levantei.
- Descansa, você precisa dormir. Vou conversar com a sua familia. - Ela sorriu pra mim.
- Nossa familia. - Sorri de volta.
- Nossa familia! - Completei, dei um beijo em sua mão e sai.

Encontrei todos na sala de espera novamente. Eles estavam apreensivos me olhando, Alycia dormia no colo de Micael, acho que estamos tempo demais longe de casa. Me aproximei devagar e me sentei ao lado de Micael, todos esperavam que eu falasse, mas não sabia nem por onde começar.

- E então? - Matheus quebrou aquele silencio que já estava incomodando.
- Ela quer ter o bebê! - Foi a primeira coisa que eu disse e todos se espantaram.
- Quem é o pai? - Antônia perguntou nervosa e eu só balancei a cabeça positivamente, ela começou a chorar, como era de se imaginar, Matheus não ficou nem um pouco surpreso.
- Eu vou matar o Paulo. - Micael estava espumando de ódio, se mexeu e Alycia abriu os olhos.
- Não vai matar ninguém, vamos denunciar a policia. - Falei controlada.
- Por que ela quer ter o bebê? - Antônia perguntou confusa.
- É filho dela, tem todo direito de querer. - Dei de ombros. - Fiz essa pergunta a ela, que me respondeu com outra, "Você tiraria Alycia?" - Eu olhei minha filha com olhos curiosos no colo do pai.
- Situações diferentes. Eu com certeza não sou seu pai. - Falou com certo ódio na voz.
- Não, mas também não era o melhor pretendendo, ninguém que meu pai teria escolhido. - Falei e senti que ficou com raiva do que eu falei. - Estou tentando dizer que, se ela quer o bebê, vamos apoia-la.
- Não sei... - Micael falou apreensivo.
- É direito dela querer ou não Micael. Você não pode interferir. - Falei dura e ele se espantou novamente.
- Tem riscos dessa criança nascer deficiente. - Ele falou, ainda argumentando.
- Ela está ciente de todos os riscos, Micael. E você vai amar seu sobrinho, apoiar sua irmã e ajudar no que for preciso. - Ele não me respondeu.
- Você não parece surpreso, Matheus. - Antônia falou e ele não sabia o que responder, demorou um pouco até optar pela verdade.
- Eu sabia do que estava acontecendo... - Abaixou a cabeça, então vi Micael cuspir fogo.
- VOCÊ SABIA QUE SEU PAI ESTAVA FODENDO SUA IRMÃ E SIMPLESMENTE DEIXOU?! - Gritou e todos ali na sala olhando pra nós.
- Micael, olha a boca e para de gritar, por gentileza?! - Falei olhando pra Alycia que se assustou. Ela estava olhando o rosto de Micael e então pediu pra ir pro chão e veio se sentar no meu colo.
- Eu só não acredito nisso! - Falou revoltado.
- Não xingue perto da minha filha. - O olhei sério.
- Nossa filha. - Me respondeu também sério.
- Vocês não vão brigar né? - Antônia interviu. - Sei que estamos todos nervosos, o que menos precisamos é brigar entre nós mesmos!

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Colega do reblog, tinha colocado meu número errado no post anterior, se chamou naquele número, me desculpe. 21 987808209 é o correto, aguardo contato.

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