Inevitável - Capitulo 29

- Sophia, você mentiu pra mim? - Esbravejei e joguei as mãos para o alto num ato de revolta.
- Micael eu... - Ela não tinha palavras pra terminar as frases.
- Você mentiu. Que tipo de relação é essa que começa com mentira? - Disse um pouco revoltado e então ela sorriu. Um sorriso tão puro que fez meu coração parar na hora. Ai, o amor é um sentimento tão idiota... Sem contar que ela não mentiu por mal, de certa forma estava me incentivando aquilo. Ah, tô um pouco confuso. - Por que está sorrindo?

- Porque nós temos um relacionamento. - Ela disse ainda sorrindo, me olhando nós olhos. - Olha, eu sei que menti e não acho isso bonito, mas Micael, tava na sua cara que você queria ficar comigo e tinha algum receio. Eu vi o ciume do Marco na sua cara, quis só aproveitar.

Eu suspirei e me levantei. Estava tão confuso. Descobri estar apaixonado por aquela menina não era fácil, lutar contra o que todos vão dizer também não. Além do fato de que ela mentiu. Então ela se levantou e parou na minha frente, segurando minha mão. Dava pra sentir o tesão que seu toque, até mesmo o mais simples, me dava.

- Não fica com raiva de mim, não hoje pelo menos. Acabamos de decidir ficar juntos. - Senti seus olhos em meu rosto, mas eu olhava para o nada.
- Decidimos ficar juntos com base em uma mentira. - Dei de ombros após dizer isso e olhei em seus olhos, deu pra ver sua expressão mudar de doçura para tristeza e podia jurar que seus olhos estavam se enchendo de lagrimas então eu a abracei.
- Não se afasta de mim de novo. - Ela meio que suplicou e eu a soltei pra olhar em seus olhos. Nenhuma palavra foi dita e tive a impressão de que ela esperava uma resposta, então eu a beijei. Um beijo calmo, carinhoso.
- Não tem como me afastar da minha namorada. - Disse quando nós nos separamos e ela sorriu, e me abraçou novamente. Dei um beijo no topo de sua cabeça. - Nunca mais minta pra mim de novo. - A afastei novamente pra encara-la. - Se achar que vou brigar com você se souber de alguma coisa, lembra que quando eu descobrir a verdade, vou brigar em dobro. Odeio mentiras.
- Tudo bem, eu não minto. - Ela revirou os olhos. - Dessa vez foi só pra te incentivar. - Eu ri.
- Acho que devemos ir dormir. - Eu disse e ela concordou, me largando e juntando as roupas dela que estavam jogadas. Fiz o mesmo.

Subimos as escadas de mãos dadas, apesar de ambos estarmos carregando coisas. Chegamos na porta do quarto dela e ela simplesmente ia entrar, eu a puxei pelo braço e levantei uma sobrancelha, ela me olhou confusa.

- O que foi? - Perguntou com olhos urgentes.
- Você deveria dormir comigo. - Falei e ela abriu um sorriso do tamanho do mundo.
- É sério? - A duvida estava em seu olhar.
- Sophia, você é minha namorada, não pode ser tão insegura em relação a mim. - Falei e ela sorriu ainda mais quando falei "minha namorada".
- Não sou insegura, estou surpresa. E também não tenho costume. - Deu de ombros.
- Hum, não foi o que pareceu quando me agarrou no seu quarto só de toalha. - Eu gargalhei e ela corou. - Aquilo foi uma delicia.
- Ah, que sem graça você. As vezes tenho uns surtos. - Ela riu sem graça. Eu continuei andando até meu quarto e a puxando pela mão.
- Tenha  mais, eu gostei. Gosto de mulher decidida. - Ela sorriu e não me respondeu mais.

Chegamos ao meu quarto e eu joguei minhas roupas no cesto, ela fez o mesmo. E então entramos no chuveiro. Foi tão gostoso tomar aquele banho com ela que não sei porque não fizemos antes. Estávamos felizes dentro da nossa própria bolha e eu não queria de forma nenhuma estoura-la. Fomos para o quarto e eu botei só uma sunga. Ela ainda estava enrolada na toalha, e toda vez que a vejo assim, lembro da forma gostosa como ela me atacou naquele dia.

- Tenho que ir no meu quarto pegar uma roupa pra dormir. - Ela disse e se virou para a porta, eu tentei segura-la mas só consegui a pegar a toalha. Ela por instinto tampou suas partes intimas e me arrancou um sorriso. - Que isso heim, Micael? - Parecia um pouco furiosa.
- Acho que você pode dormir assim. - Sorri malicioso e vi a fúria dela se diluindo no tesão.
- Sem chance. Preciso me cobrir de algo. - Ela tirou as mãos que cobriam suas partes e eu não consegui parar de olhar. - Você vai trabalhar amanhã e se eu dormir assim, você que não vai dormir. - Então ela gargalha.
- Veste minha blusa então. - Ela deu de ombros.
- Por que não me deixa ir até o meu quarto? - Novamente, seu olhar era de confusão.
- Acho extremamente sexy mulher com blusa masculina e sem mais nada. - Eu falei e então ela pareceu se render e voltou pra mais perto de mim.
- Me da uma ai, por favor. - Ela estendeu a mão e eu fui no armário e peguei qualquer uma, ela vestiu e pulou na cama. Quando olhou para o criado mudo, viu a foto da Luiza comigo que tinha ali e sua expressão mudou de safada para culpada. - Isso parece tão errado...
- Não é. - Eu me sentei perto dela.
- Era minha irmã... Parece que estou furando o olho dela, coisa que nunca faria. - Ela estava angustiada.
- Sophia, como você mesmo jogou na minha cara um milhão de vezes, sua irmã ou está morta, ou fugiu com alguém. - Doía pensar naquilo.
- Mas você a ama. Você sente a mesma coisa ainda, caso contrario, essa foto não estaria aqui. - Ela deu de ombros, seus olhos não desgrudavam daquela foto maldita.
- Não tirei nenhuma das fotos, porque quero que o Felipe saiba quem foi sua mãe. Mas pode deixar que essa aqui, vou colocar lá na sala. - Disse e abaixei a foto. - É você quem eu quero. - Dei um selinho nela e me deitei ao seu lado. Ela veio e se aconchegou em meu peito, então em alguns minutos, estávamos adormecidos.

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