Reviravolta - Capitulo 12

Nós voltamos para a frente da televisão e agora estávamos assistindo sem falar. Eu estava com aquele beijo na cabeça e aposto que ele também. Meu celular tocou desviando nossa atenção.


- Fala pai! – Disse depois de olhar o visor.
- Vem para casa Sophia.
- Ah pai, agora não. Está cedo ainda. – Argumentei.
- Já está escuro filha, te disse que não queria você infurnada na casa junto com esse garoto. – Brigou.
- Pai, quem te disse que estou com ele? – Me fiz de inocente.
- Não sou idiota Sophia, vem para casa e agora. – Desligou o celular na minha cara.

- Ai que ódio. – Exclamei jogando o celular no chão.
- Calma Soph, o que foi? – Perguntou confuso enquanto pegava o meu celular e estendia pra mim.
- Meu pai, ele quer que eu vá para casa. – Falei com raiva.
- Calma, não precisa disso tudo. – Sua Voz era tranqüilizadora. – Vai pra casa, e volta amanhã.
- Não quero ir e esse é o problema. – Fiz um biquinho e ele riu. – Eu prefiro ficar com você aqui. Naquela casa só tem briga.
- Mas é a sua casa e o seu pai... Sua família, como eu queria ter o meu pai ou a minha mãe aqui perto novamente. – Sua expressão era triste.
- Já pensou em procurar sua mãe, agora que você já é um homem? – Mudei de assunto.
- Minha mãe mora em São Paulo, Sophia! – Falou triste e passou a mão pelo cabelo.
- Como tão longe? Micael como você veio parar aqui? – Estava espantada.
- Nem eu lembro direito, mas sei que foi de caminhão, devo ter pedido carona sei lá. Eu era muito novo – Ele deu de ombros.
- Você terminou o segundo grau né? – Ele assentiu... – Eu acho que sei como vamos nos ver sempre...
- Como? – Ele sorriu.
- Vamos fazer faculdade juntos! – Disse animada e ele fechou o sorriso.
- Sophia, você sabe que eu não tenho como pagar isso, e outra, eu não ia fazer um cursinho?
- Ah mais eu preciso fazer uma faculdade e seria um ótimo incentivo você fazer comigo. – Sorri ainda empolgada. – Eu falo com meu pai.
- Já percebi que seu pai nem gosta de mim, já está de bom tamanho essa casa aqui que ele me arrumou.
- Meu pai não tem que gostar, Micael eu vou te apresentar a ele. Ai ele vai mudar os pensamentos fica tranqüilo.
- Como me apresentar? Tu é louca mulher? – Arregalou os olhos – Não estou pronto para isso.
- Meu pai não morde Micael – Parei e pensei – Só a minha mãe lá né quando eles estão nas brigas deles. – ri.
- Garota você é terrível. – Negou com a cabeça. – Olha, espera um tempo pelo menos. Agora não.
- Tudo bem, você que sabe. – Dei de ombros. – Mas eu queria muito poder passar mais tempo com você.
- Eu também princesa! – Ele me abraçou e eu descansei a cabeça em seu peito.
- Você é uma pessoa tão diferente... – Suspirei olhando meu celular – Nunca deveria ter entrado para essa vida. 
- Não foi por opção. – Falou sem orgulho nenhum na voz.
- Eu imagino... Sabe, - Olhei para ele. – Eu te admiro demais.
- Olha, a primeira pessoa que me disse isso na vida inteira. – Sorriu em gratidão.
- Eu queria muito entender o que eu sinto por você desde quando eu te vi pela primeira vez... – Olhei confusa – Mas eu realmente não entendo.
- Com o tempo você descobre o que é... – Sorriu – Pode ser o mesmo que eu senti, eu pelo menos adoraria que fosse.
- É estranho.
- Mas é bom.
- Sim, eu me sinto incrivelmente segura quando você me abraça. – O abracei de novo.
- É, isso é estranho. Mas, eu sinto que nunca te faria mal algum, e que te defenderia com todas as minhas forças! – Eu sorri com a cabeça em seu peito.
- Toda hora a gente se declara um pro outro – Ri alto, acompanhada por ele
- De certa forma sim né

Ficamos em silencio, por um tempo e então eu me levantei e dei um beijo em seu rosto. Eu tinha que ir, já tinha se passado muito tempo e meu pai com certeza estava me esperando já com raiva e pronto para uma confusão.

- Tenho que ir, amanhã eu volto. – Vi um traço de dor cruzar seu rosto.
- Tudo bem, já que não tem opção, eu te espero amanhã...


E me levou até a porta, na despedida parecia que eu nunca mais voltaria, nenhum de nós queria aquilo, mas a vida nem sempre é como queremos. Eu me virei e entrei no meu carro, fui para casa como tinha que ser feito, mesmo querendo outra coisa...

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