Inevitável - Capitulo 15

Por volta das 7h da manhã eu acordei e fui logo para o banheiro, tomei banho, escovei os dentes e vesti a minha calça social, eu geralmente ficava de cueca mais como tinha visita em casa decidi vestir-la, fiquei sem a camisa.

Desci, e encontrei na cozinha a Sophia com o Felipe, ela estava dando uma banana amassada pra ele e não levantou o olhar quando me ouviu chegar.
- Bom dia! – Eu disse querendo chamar um pouco sua atenção.
- Bom. – Foi a única resposta que eu obtive.
Ela já tinha arrumado a mesa do café, então me sentei de frente a ela. Mesmo assim, ela me ignorava.
- Sophia?! Acho que precisamos conversar. – Finalmente tomei coragem e disse.
Ela levantou o olhar.
- Já eu acho que não temos nada pra falar. – Ela estava fria.
- Como não? E o que aconteceu ontem? Não foi nada?!
- Isso acertou, não foi nada! Você não precisa sentir nenhuma espécie de culpa ou qualquer coisa do tipo, entendeu? – Ela estava muito seria, acho que aquela Sophia que não gostava de mim estava de volta.
- Também não é assim Sophia, não podemos negar que aconteceu! – Eu insistia.
- Não está na sua hora de trabalho?
Eu revirei os olhos – A empresa é do meu pai, se eu não quiser ir não vou, agora pare de mudar de assunto e vamos conversar como gente adulta?
Dessa vez acho que eu consegui sua atenção, queria poder ler pensamentos por que ela tinha uma expressão tão enigmática.
- Fale Micael, o que tanto quer conversar? – Ela dizia pausadamente como se falando com uma criança.
- Sophia, nós nunca nos gostamos, a Luiza morre nós viramos melhores amigos, cinco meses depois a gente transa?
- Sim, foi exatamente o que aconteceu! – Ela disse nem um pouco espantada.
- Você não esta pensando onde isso vai parar? – Ela nega com a cabeça.
- Já parou, naquele sofá ontem. Foi uma vez Micael, não tem porque ficar todo nervoso assim.
- AI você não entende, sabe por que eu estou tão nervoso assim? – Ela ficou muda. – Por que eu gostei, e tenho medo de querer repetir.
Eu abaixei a cabeça, estava com vergonha. Não vi a expressão no rosto dela, mas sei que ela sorriu com o que eu disse.
- Bom, eu... Também gostei. Mas não podemos repetir. – Por fim, ela disse algo e eu levantei a cabeça, a olhando nos olhos.
- Eu sei que não, e esse é o problema.
- Olha, rolou um clima ontem e a gente fez, por isso vamos evitar de ficarmos sozinhos e tudo resolvido.
- Eu nunca pensei que sentiria algo assim por você... – Eu disse.
- Eu também não, ah, também não se preocupe comigo, eu sei que você acha que a Luiza está viva então...
- A Luiza está viva, porque ninguém rouba um corpo que estava enterrado.
- Enfim, quando ela voltar, eu não falo nada – Ela disse meio sem graça.
- Quando ela voltar tem muito que me explicar, não sei se vou continuar casado com ela.
- Claro, depois dessa. Mas não acredito que ela tenha feito isso por vontade própria.
- Soph, ela pode ter se apaixonado por outro homem. – Não acreditava nisso.
- Com você em casa? Tá de sacanagem né? – Ela disse e logo colocou a mão na boca, como se fosse apenas um pensamento que escapou. Eu ri, afinal não tinha como não rir disso. – Não era pra eu ter dito isso.
- Relaxa, tô de boa! Mas enfim, é uma possibilidade. Não acredito que ninguém tenha sequestrado ela não.
- Ela não precisava ter feito isso né? Era só pedir o divorcio se era o que ela queria.
- Mas ao que parece sua irmã não tem coração, me deixou, deixou a família, e o filho que é o mais inocente nessa historia toda.

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