Inevitável - Capitulo 8

Pronunciar aquela palavra me doía na alma. Não dava pra acreditar que minha linda estava mor... morta...
- Ele já foi, foi tudo muito rápido. – Marlon disse.
- Já a enterraram e eu não pude ir nem dar meu beijo de despedida? – Eu já estava ficando louco, era muita noticia pra mim.

- Mano o velório foi de caixão fechado, você não poderia ver ela. – Marlon disse com  a maior naturalidade.
- Foi tão horrível assim?
Pelo que eu saiba, cerimônia de caixão fechado são para casos extremos em que a vitima estava muito deformada. Era tudo culpa minha.
- Foi culpa minha.
- Claro que não meu filho, você foi outra vítima, assim como ela.
- É mano vocês só deram a sorte que ela não teve, me parece que o carro que bateu em vocês bateu justamente onde ela estava.
- Cara, eu não acredito nisso ainda...
Eu não tinha mais o que falar, preferi ficar em silencio sofrendo minha dor em paz.
Em meio a uma cortina de lagrimas eu vi cabelos loiros se aproximarem da porta de meu quarto. Quando ela entrou tinha Felipe no colo, ele chupava um pirulito e tinha um bracinho com um gesso.
- Vejo que vocês já contaram a ele... – Ela disse.
Aquela voz animada e debochada de sempre sumira. Ela tinha os olhos vermelhos e a maquiagem borrada, por mais que não gostasse de mim, ela amava muito a irmã.
- É me contaram... deixa eu pegar ele um pouquinho por favor?!
Eu pedi e estendi meus braços. Ela com cuidado o colocou na cama ao meu lado.
- Ei filho, agora somos só nós dois para nos virar. Ainda não sei o que vou fazer, mas vou dar um jeito, você pode confiar em mim... – Eu já tinha mais lagrimas nos olhos. Meu pai e Marlon também estavam um tanto quanto emocionados.
Sophia caminhou lentamente ate a minha cama e pegou uma das minhas mãos. Ela segurou forte e me olhou nos olhos, já estava chorando novamente.
- Você nunca estará sozinho Micael, sempre terá o nosso apoio.
- Não é a mesma coisa Sophia. Ela não estará mais comigo quando ele acordar de madrugada, quando ele tiver febre ou ate mesmo quando começar a falar.
- Eu sei que é difícil, mas agora é a hora de nos deixarmos as diferenças e nos unirmos para o bem do Felipe.
- Obrigada Sophia. Obrigada mesmo, nós dois vamos precisar. – Ela ainda tinha uma de minhas mãos presas a dela.
- Agora eu acho que você tem que descansar, você sofreu um acidente, dorme, vai ser melhor. Posso pegar? – Ela largou a minha mão e gesticulou para Felipe na cama.
- Vai levá-lo pra onde?
- Ele já recebeu alta, então vamos levar lá pra casa, minha mãe acha melhor, até porquê você vai demorar alguns dias pra receber alta. Eu respirei aliviado, era melhor ele lá que eu sabia que ele seria bem tratado pela avó – Tudo bem, mas assim que eu sair vou lá buscar ele, não quer dar mais trabalho para vocês!
Sophia revirou os olhos, um ato que me lembrava muito a irmã.
- Você não vai nos dar trabalho. Nós amamos o Felipe, e de certa forma você ainda será parte da nossa família. – Ela me deu um sorriso, mas em seus olhos eu via a tristeza que ela tinha. Tanto quanto a minha, ela era muito apegada a irmã.
- Mais uma vez obrigada. – Forcei um sorriso e ela se retirou do meu quarto com meu filho.
- Eu sinceramente acho que você deveria descansar. – Eu ouvi a voz do meu pai ao fundo dos meus pensamentos.
- Não vou conseguir dormir pai...
- Você não sabe, ainda não tentou – Ouvi Marlon argumentar, com muito cuidado virei meu pescoço para eles.

- Eu apenas sei. – Virei meu rosto de volta, não queria mais conversa. Acho que eles entenderam. Por que me deram alguma privacidade em meu quarto de hospital.

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