Inevitável - Capitulo 9

Sem mais pensamentos eu acabo pegando no sono novamente.
Ao acordar já nem sei quanto tempo se passou. Talvez algumas horas, ou minutos... quem sabe ate um dia. Meu quarto estava vazio. Eu me sentia vazio. Uma onda triste veio ao meu encontro. A minha realidade.

Pela parte de vidro da porta eu vi cabelos loiros. Já sabia quem era. Sophia entrou com uma expressão não muito boa.
- Olá?! – Ela disse sem tirar os olhos dos meus.
- Oi Sophia, em que posso ajudá-la? – Curioso ela estar ali sem o Felipe.
- Em nada, só vim ver se você está bem! Está?
Arregalei os olhos, o que deu nessa mulher, ela nunca foi minha amiga, nem ao menos colega e agora sai da sua casa pra vir saber se estou bem?
- Sim estou melhor, parece que dormi por dias. – Reviro os olhos com o pensamento.
- Sim, você dormiu por dias.
- O que? – Pergunto mais uma vez arregalando os olhos.
- Seu pai achou que você estava muito atordoado, e sentindo dores... ele pediu aos médicos que o mantivesse sedado o dia de ontem, agora são apenas nove da manhã.
Eu estava boquiaberto, como meu pai pôde? Eram quase dois dias, bufei e me doeu a cabeça.
- Queria te fazer um pedido... –Ela disse ficando vermelha, e me distraindo do meu drama.
- Diga...
- Quando você tiver alta, vai lá pra casa...?!  - Ela sorriu simpática.
- Sophia, eu tenho condições de me virar. – Falei um pouco mais baixo – eu acho.
- Você tem uma perna quebrada, está com o tórax enfaixado porque quebrou algumas costelas, e ainda tem a cara de pau de dizer que consegue se virar? – Ela me olha com desdém.
- Tá talvez eu vá precisar de ajuda. – Não a encarei, era humilhante – Mas tem meu pai e o meu irmão pra me ajudar.
- Ah claro, três homens e um bebê... – Ela estava debochando. – Deixa de ser cabeça dura.
Ah entendi, todo esse pedido era por causa de Felipe, mas é claro não podia ser apenas por causa de mim, afinal ela nem gostava de mim.
- Não é só por causa do Felipe – Ela respondeu a minha pergunta muda. – Nós nos preocupamos com você, e queremos cuidar de você, você faz parte da nossa família.
- Você nunca me aceitou como parte da sua família. – Eu a acusei.
- Eu sei Micael, deveria ter aceito a mais tempo, teria deixado minha irmã contente, e eu sei que é tarde, mas eu quero que de onde ela esteja, veja que nós não abandonamos vocês...
Ela já estava com os olhos cheios de lagrimas novamente. Era comovente, eu tinha vontade de protegê-la do que quer que a tenha feito mal, mas o que a está fazendo mal, também esta me matando por dentro.
- Olha, eu vou pensar eu juro.  Você sabe quando eu ganho alta?
- Talvez, hoje a noite ou amanhã de manhã. – Suspirei com alivio á resposta dela.
- Pensa com carinho, essa proposta não vem só de mim, foi ideia dos meus pais também.
Eu sorri, não poderia achar sogros melhores.
- Tá, bom. Mas não acho que seja uma boa idéia, afinal na sua casa tem escadas, e eu com certeza não poderei subi-las. – Levanto uma sobrancelha e ela sorri. Igual a irmã, me fez parar de respirar. Cadê o ar?!
- Nós damos um jeito. Agora eu tenho que ir, minha mãe pediu para não demorar.
- Ta bom, obrigado pela visita Sophia.

- De nada Mica, fica bem.

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