Reviravolta - Capitulo 77

Acho que Alycia já tinha se dado conta de que me pedindo as coisas com aquela carinha eu não resistiria. Eu desviei o olhar daquelas duas, pensando se realmente deveria ou não ajudar ou tentar ajudar aquele homem. Os instintos dentro de mim, dizia pra eu deixar pra lá, ele que se virasse, mas as duas pessoas que eu mais amava estavam ali me pedindo aquilo. Olhei para elas e não tive como dizer não. Apenas suspirei.
- Ok, eu falo com ele. - Falei com pesar. - Mas se ele em algum minimo momento me tratar mal eu vou deixar ele se ferrar sozinho. - Já deixei elas avisadas. Alycia sorriu e veio para o meu colo, me deu um abraço.
- Eu amo você, papai. - E então eu não sabia o que fazer. Aquilo foi tão espontâneo, tão inesperado que nem falar direito conseguia. Olhei pra Sophia e ela sorria pra mim. 
- Eu também te amo, filha! - Respondi e a apertei um pouco mais naquele abraço. Soltei ela algum tempo depois e me levantei. - Eu vou lá em cima, vou tentar pelo menos. Sophia se levantou e me deu um beijo. 
- Eu também amo você. - Ela disse ao meu ouvido. Essas mulheres tinham descoberto o meu ponto fraco, só pode. 
- Eu amo mais, minha linda. - Dei outro beijo nela, respirei fundo e me dirigi as escadas. Subi meio que devagar demais, não queria muito fazer aquilo. Parei em frente a porta do seu escritório, pensando seriamente em desistir, mas ai me lembrei daquelas duas e bati na porta. Minutos depois eu ouvi um "entra". A voz era baixa e grave, ele estava preocupado, se via de longe isso. Quando abri a porta, encontrei um Renato imerso em papéis, que quando levantou o olhar e viu que era eu, pareceu muito surpreso.
- A que devo a visita rapaz? - Ele tentou debochar, mas não estava em condição nenhuma então dei de ombros e me aproximei. 
- Passando pra saber se está tudo bem? - Ele franziu a testa, surpreso.
- Desde quando se preocupa? - Falou sem entender. - Ou quer saber pra rir por ai?
- Eu não sou esse tipo de homem, Renato. - Falei firme e ele levantou uma sobrancelha. - Mas você tem razão em uma coisa, eu não me preocupo, nem ligo. - Ele sorriu.
- Então o que faz aqui? 
- Pessoas que eu amo se preocupam com você. Pessoas pelas quais eu faria de tudo. - Aquele olhar que ele tinha lá no hospital voltou, parecia admiração outra vez. 
- Olha rapaz, tenho que ressaltar que você é muito mais persistente do que eu imaginava. - Foi a minha vez de sorrir. - Pensava que com a minha primeira proposta você iria correr, com a primeira ameaça eu nunca mais veria você. - Ele deu de ombros e logo continuou. - Mas não, você se manteve firme, sempre vindo aqui, onde sabia que não era bem vindo, sempre ao lado da sua filha, mesmo ela não sabendo que era. Bom, devo admitir que você me deixa orgulhoso. - Ele parou de falar, não parecia estar blefando.
- Assim que a Sophia voltou, na nossa primeira conversa aqui nesse escritorio, você disse que faria de tudo pela sua filha. - Ele assentiu, se lembrava das palavras. - E eu disse, que faria de tudo pela minha filha também. Eu não estava blefando. - Falei o encarando. Ele parecia não saber o que falar. 
- Sabe como é ruim perceber que estamos errados? - Ele desviou o olhos. 
- Já percebeu isso? - Ergui a sobrancelha.
- É complicado. Sempre fui o dono da razão aqui em casa, um ditador. Ai você chega e me desafia completamente. - Ele rolou os olhos, eu não pude deixar de dar um sorriso. - No começo, eu confesso que me incomodou essa sua insistência, mas hoje, vendo como você faz bem pra Alycia, não tem como negar. A menina pula de felicidade quando vê você chegar. - Meu sorriso se ampliou ainda mais. - Isso é uma coisa que nunca aconteceu comigo e com a Sophia. - Ele pareceu triste. - Sophia já me odiava com essa idade.
- Uma criança de cinco anos não odeia ninguém. - Eu falei espantado. 
- Sophia me odiava. Ela dizia, sempre disse. - Sua expressão de tristeza ficava mais forte a cada lembrança. 
- Eu imagino o que você não fazia com ela. - Sacudi a cabela negativamente. 
- Sophia sempre teve um gênio muito forte, sempre foi decidida. Eu não queria, ela tinha que me obedecer. Então... - Ele parou de falar e eu fiquei calado, não queria imaginar o que ele fazia com uma criança. - Eu sempre adorei crianças, as crianças sempre me adoraram, mas a minha filha, essa sempre me odiou.
- Sophia não te odeia. - Eu falei dando de ombros. Ele me olhou como se eu estivesse debochando. 
- Ah, depois de tudo que eu fiz? O mundo todo me odeia. - Ele parecia querer desabafar, tinha algo o incomodando. - Até a minha mulher me odeia. - Ele falou depois de um tempo de silencio.
- Eu com certeza não gosto de você. - Sorri de canto e ele sorriu também, como se fosse reciproco. - Mas a Sophia só se finge de durona. Foi ela que pediu pra que eu viesse tentar te ajudar, ela se preocupa. - Ele então pareceu surpreso outra vez. - E quando da dona Branca, bom, eu não sei o que aconteceu, mas deve ser fase. 
- Não é fase, ela quer se separar. Tudo está acontecendo ao mesmo tempo. Sophia daqui a pouco inventa de casar com você e vai embora daqui, Branca quer o divorcio, a empresa não sei bem o que vai acontecer... Eu vou ficar sozinho aqui...

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